Associação divulga lista dos produtos mais falsificados e pirateados do país

O presidente da ABRAPEM, Carlos Amarante, participou do evento de lançamento do Anuário da Falsificação 2026, divulgado pela Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), realizado no dia 27 de maio, em São Paulo.

De acordo com dados do Anuário, a falsificação, contrabando, pirataria e sonegação fiscal, provocaram prejuízo recorde de R$ 514 bilhões ao Brasil em 2025. O número significa uma alta de 8% em relação ao ano anterior.

Os valores se referem às perdas de arrecadação tributária e de faturamento das indústrias legalmente estabelecidas. O levantamento mostra que os três setores mais afetados foram:

– Bebidas alcoólicas: prejuízo de R$ 89,5 bilhões;

– Vestuário: R$ 55 bilhões;

– Combustíveis: R$ 30 bilhões.

Segundo o diretor da ABCF, Rodolpho Ramazzini, advogado especializado no combate à fraude, o avanço do mercado ilegal evidencia a presença do crime organizado em setores da economia formal. “O crescimento do mercado ilegal está ligado ao fortalecimento das facções criminosas, à evasão fiscal, à fragilidade na fiscalização de fronteiras e à falta de mecanismos de rastreabilidade”.

O Estado de São Paulo aparece como o centro do mercado ilegal no País, concentrando 40% de todas as perdas nacionais, o equivalente a R$ 205,6 bilhões. Apesar de não ser região de fronteira, São Paulo lidera o ranking de apreensões da Receita Federal, respondendo por 20% das operações realizadas no País.

Paralelamente, o relatório também aponta o aumento das operações de repressão, que passou de 1.714 em 2024 para 1.928 em 2025, um crescimento de 12%.

Os cigarros continuam liderando o contrabando no Brasil. O estudo aponta que cerca de 32% do consumo nacional já pertence ao mercado ilegal e que o setor provoca evasão fiscal superior a R$ 11 bilhões anuais. Em 2024, o valor girava em torno de R$ 10 bilhões.

O mercado de medicamentos também se destaca, principalmente com o consumo de remédios da classe GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. A combinação entre escassez global, preços elevados e a popularização desses fármacos abriu espaço para um mercado paralelo que movimenta desde produtos falsificados até versões manipuladas de forma irregular.

Setores com maiores prejuízos em 2025

Bebidas alcoólicas – R$ 89,5 bilhões

Vestuário – R$ 55 bilhões

Material esportivo – R$ 32 bilhões

Combustíveis – R$ 30 bilhões

Perfumaria – R$ 22,8 bilhões

Defensivos agrícolas – R$ 22 bilhões

Medicamentos – R$ 16,8 bilhões

Ouro – R$ 13,8 bilhões

TV por assinatura – R$ 13 bilhões

Autopeças – R$ 13 bilhões

Materiais elétricos – R$ 12 bilhões

Setor óptico – R$ 11,8 bilhões

Higiene e cosméticos – R$ 11,5 bilhões

Cigarros – R$ 10,5 bilhões

Celulares – R$ 10,5 bilhões

Suplementos alimentares – R$ 10 bilhões

Amarante esteve no evento com o objetivo de trocar impressões e buscar uma forma de colaboração com outras entidades e suas experiências para ajustar a atuação da Abrapem no combate à importação, venda e uso de instrumentos metrológicos irregulares e contaremos com a participação do Rodolpho Ramazzini na terceira edição do evento “Desbravando caminhos para o comércio de bens e serviços sem fraude” que ocorrerá no dia 12/08/2026 na Delegacia Cibernética do Inmetro em São Paulo.