A vice-presidência de Balanças Industriais da ABRAPEM está conduzindo atualmente cinco projetos regulatórios voltados ao aperfeiçoamento do marco técnico e metrológico de instrumentos de pesagem no país. As iniciativas são desenvolvidas em parceria com o Inmetro e têm como objetivo ampliar a confiabilidade das medições, aumentar a eficiência logística e fortalecer a segurança nas transações comerciais.
De acordo com o vice-presidente, Gerson Ricardo Vieira da Silva, três projetos já se encontram em estágio avançado de desenvolvimento. Um deles trata da elaboração de uma minuta de regulamentação para células de carga, componente fundamental de instrumentos de pesagem. Também estão em fase avançada as propostas de regulamentação das balanças ferroviárias dinâmicas e das balanças totalizadoras descontínuas, conhecidas como balanças de fluxo.
Cada um desses projetos já passou por aproximadamente oito a dez reuniões técnicas e se aproxima da consolidação das versões finais das minutas que serão apresentadas ao Inmetro. No caso da pesagem ferroviária dinâmica, o instituto já elaborou a AIR – Análise de Impacto Regulatório. Para os projetos de células de carga e de balanças totalizadoras descontínuas, a Abrapem tem colaborado com o fornecimento de informações técnicas que irão subsidiar a elaboração das respectivas análises de impacto.
No caso específico das células de carga, a associação também vem incentivando laboratórios de ensaio no Brasil a se candidatarem para realizar os testes de aprovação de modelo, já que atualmente não existe no país um laboratório habilitado para esse tipo de ensaio.
Além dos projetos já em andamento, outros dois estão previstos para iniciar em abril. Um deles prevê a elaboração de proposta de regulamentação para balanças totalizadoras contínuas. O outro trata da proposta de revisão da Portaria Inmetro nº 115/2022, que estabelece requisitos para equipamentos elétricos destinados ao uso em atmosferas explosivas.
Os benefícios esperados dessas iniciativas são amplos e atingem diferentes segmentos da economia que dependem de medições confiáveis. No caso da pesagem ferroviária dinâmica, a regulamentação permitirá que vagões sejam pesados em movimento, reduzindo a necessidade de pesagem estática e aumentando a agilidade das operações logísticas. O avanço é particularmente relevante em um cenário de crescimento do agronegócio e da mineração, setores que movimentam grandes volumes de carga e dependem de sistemas eficientes de transporte.
Já as balanças totalizadoras descontínuas são amplamente utilizadas em operações de carregamento a granel, como grãos e minérios, especialmente em terminais intermodais e portos. Com a regulamentação, esses instrumentos poderão ser utilizados não apenas para controle operacional, mas também para transações comerciais e transferência de custódia. Hoje, em muitas operações portuárias, a quantidade embarcada em navios ainda é determinada por arqueação, um método mais antigo e com maiores níveis de incerteza. As balanças de fluxo permitem medições mais rápidas e precisas, reduzindo disputas comerciais e aumentando a eficiência das operações.
Outro ganho potencial está nas operações de carregamento de caminhões. Atualmente, após o carregamento, os veículos precisam passar por uma balança rodoviária estática para a determinação do peso e emissão da nota fiscal. Com a regulamentação das balanças de fluxo, o peso poderá ser determinado durante o próprio carregamento, o que tende a tornar o processo logístico mais ágil.
No caso das células de carga, a regulamentação busca enfrentar um problema recorrente no mercado brasileiro: a entrada de componentes de qualidade duvidosa, muitas vezes sem atender aos requisitos mínimos de desempenho e confiabilidade. Como a célula de carga é o elemento responsável por iniciar a medição em uma balança, falhas nesse componente podem comprometer todo o sistema de pesagem. A ausência de regras claras pode levar à substituição de componentes aprovados por modelos inferiores, além de problemas relacionados à interferência eletromagnética, baixa resistência a condições ambientais e perda de repetibilidade das medições. A regulamentação deverá estabelecer critérios técnicos e de qualidade que aumentem a confiabilidade dos instrumentos utilizados no país.
Conforme Gerson Ricardo, “para a Abrapem, participar ativamente da construção dessas regulamentações é parte de seu papel institucional no fortalecimento do sistema metrológico brasileiro. A associação levou formalmente ao Inmetro a necessidade dessas regulamentações e, com o apoio da atual gestão do instituto, liderada pelo presidente Márcio André Oliveira Brito, foi possível estabelecer um trabalho conjunto para o desenvolvimento das propostas.”
Esse modelo de construção colaborativa tem permitido dar maior agilidade e consistência técnica às minutas regulatórias. A Abrapem atua como elo entre diferentes atores envolvidos no processo, incluindo o órgão regulador, os órgãos fiscalizadores, os fabricantes de instrumentos de pesagem e os usuários e consumidores finais. Com forte perfil técnico e representatividade no setor, a entidade contribui para que as futuras regulamentações reflitam as necessidades reais do mercado e ampliem a segurança e a confiabilidade das medições no Brasil.



